A arte de conviver com o diferente

Desde tenra idade um princípio básico da vida que nos foi ensinado é que somos diferentes. E a ciência, o nosso DNA nos confirmou isso! Porém, essas diferenças não estão apenas na cor da pele, dos olhos, na estrutura capilar ou estatura, elas estão por toda parte.

E, detalhe, embora muitos, ainda, pareçam não compreender, isso não nos torna melhor, nem pior, apenas, diferentes.

Outros aspectos como vimos em oportunidades anteriores, também, nos diferenciam, tais como nosso temperamento, personalidade e caráter.

Neste texto, que tal pensarmos um pouquinho em algumas dessas diferenças entre nós e, quem sabe, até no que elas podem nos ensinar?

Isso foi algo que eu desejei fazer ao pensar este tema. Então, vamos juntos?

Eu preciso olhar mais de perto

Primeiramente, me diga: Você já deu uma olhadinha, bem de perto, nas pessoas com as quais convive? Viu como são diferentes? Até mesmo numa família, quanta diferença há!

Mas, apesar de parecer simples, muitas vezes, tenho a sensação de que vivemos como se não compreendêssemos, de fato, tal realidade. E digo isso, por experiência própria! Quantas vezes eu, também, pareço me esquecer!

É interessante notarmos, ainda, quão diversos são os ambientes com os quais lidamos ao longo de um mesmo dia, não é mesmo? Ora profissionais, ora acadêmicos ou, então, religiosos, afetivos. Sabemos, em tese, que por ali circulam pessoas diferentes, todavia, quando chega a hora de nos relacionarmos com elas aí nossa clareza e compreensão parecem mudar. Mas, por que isso?

Alguma coisa acontece no meu coração…

Para pensarmos melhor, trago aqui uma, belíssima música de Caetano Veloso (Sampa), em que ele expõe suas impressões e experiências ao chegar à cidade de São Paulo; seus estranhamentos e inúmeras diferenças ali encontradas. Em um trecho ele canta

Caetano Veloso

[…] quando te encarei frente a frente não vi o meu rosto. Chamei de mau gosto o que vi… é que Narciso acha feio o que não é espelho”.

Creio que assim como na música, muitas vezes somos nós a passarmos por esse estranhamento uns com os outros. Por vezes, no inicio de relacionamentos, dizemos coisas do tipo: “Hum, não sei não… Não gostei dessa pessoa”! Ou, então, “Meu santo não bateu com o dele (a)” E por aí vai…

Pode acontecer e creio já ter acontecido com você, que aquele estranhamento inicial passe e, assim como se deu na música, também, nos abrimos a conhecer o outro. Assim, aquilo que, antes nos parecia feio e de mau gosto, simplesmente, por ser diferente acaba encontrando espaço em nossa vida. Porém, para que isso aconteça é preciso algo fundamental: Abertura.

O contrário, também, se dá não é verdade? De repente, somos apresentados a alguém e sem conhecer nadinha a seu respeito parece que nos identificamos logo de imediato. Como nos disse a música é como se víssemos nela o nosso próprio rosto.

Seja como for, não nos iludamos, em ambos os casos, mais cedo ou mais tarde, precisaremos de abertura. Uma vez que somos humanos, até o mais querido afeto poderá nos surpreender, um dia, com algo indesejado. E nós, também, poderemos vir a magoar pessoas queridas!

Aprendendo a conviver

Na verdade, penso que aprender a conviver com o diferente seja mesmo uma arte! E um passo importante rumo a esse aprendizado creio que seja o autoconhecimento. Quando nos conhecermos somos capazes de dizer de nós, valorizando o que temos de bom, assim como, buscando trabalhar nossas limitações.

O autoconhecimento nos ajuda, assim, a olhar com coragem para o que nos limita e pode ser o primeiro passo para fazermos diferente e, além disso, acolher o limite do outro. Afinal de contas, se queremos ser acolhidos em nossas limitações é preciso que nos abramos, igualmente, a fazer o mesmo com o outro.

Uma vez li um livro interessante que trazia por titulo “Quanto pior for a pessoa com quem você vive melhor para você”. Nele o autor defendia, justamente, a ideia de que as limitações que abominamos no outro têm muito a dizer sobre nós. Isso é mesmo algo para pensarmos!

Por vezes, nos vemos tão incomodados com uma limitação do outro que não paramos para olhar as nossas próprias. Quem sabe ao nos conhecermos mais e melhor veremos que o que nos desconforta na outra pessoa, na verdade, pode estar dizendo mais de nós que, propriamente, dela.

É preciso atenção!

Conforme vimos refletindo se nos dispomos a observar, atentamente, a nós, as pessoas ao nosso redor e o modo como sentimos e lidamos com elas, certamente, aprenderemos muito. O problema é que, na maioria das vezes, pouco nos dispomos. Então, que tal mudarmos este cenário?

Como estamos em um caminho de autoconhecimento e amadurecimento deixo, aqui, o convite para que façamos esta experiência. Observemos mais a nós mesmos, a partir do que vemos no outro, do que ele faz e que tanto nos incomoda. Por que isso nos incomoda tanto?

Penso que poderemos nos surpreender com as descobertas, além de encontrarmos novas oportunidades de aprendizado!

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