Ler, se relacionar, viajar… Chaves para o desenvolvimento

Há tempos venho refletindo sobre a importância, para o desenvolvimento humano, de se ter e ampliar o acesso a diferentes recursos sejam eles, culturais, históricos, materiais, tecnológicos, enfim, a tipos e possibilidades diversas de conhecimento.

Embora tenha ciência de que, em âmbito educacional, nossa realidade brasileira não oportunize este acesso, a todos, penso que isso não torna menos relevante essa nossa reflexão, pelo contrário, faz com que ela seja até mais urgente.

Assim sendo, gostaria de estender a vocês um pouco dessas minhas reflexões, tendo como foco o nosso desenvolvimento.

Primeiramente, deixa-me perguntar?

Você já percebeu como é agradável conversar com uma pessoa que parece saber um pouquinho sobre cada assunto?

Pois é, o acesso a diferentes fontes de conhecimento favorece demais essa construção, pois torna possível a criação de recursos em nosso cérebro que nos permitem o estabelecimento de inúmeras conexões vida afora. Conversemos melhor sobre isso!

A jornada rumo à construção de nosso conhecimento de mundo e, consequente, desenvolvimento começa desde muito cedo, alguns dizem que já no ventre materno, outros de modo mais prático, afirmam ser lá em nossa infância.

Nossa reflexão de hoje parte deste último entendimento, já que desde a infância fomos sendo apresentados a uma nova realidade que inclui cores, cheiros, sabores, sons, além de diferentes formas e texturas.

Como visto em textos anteriores, somos formados e influenciados a partir de características genéticas que herdamos de nossos pais e avós (o que resulta em nosso temperamento), assim como na medida em que convivemos com o outro, pois é ali que vamos construindo nosso caráter e personalidade…

Quem teve e tem a possibilidade de crescer entre irmãos e/ou primos sabe bem o que é isso! O quanto aprendemos com eles!

O Desenvolvimento por meio de Esquemas – O Enfoque Psicogenético

Somando-se as considerações feitas, gostaria de destacar que, de acordo com o Enfoque Psicogenético, idealizado por Jean Piaget nosso desenvolvimento se dá, além de outras fontes, com base nas experiências que estabelecemos com os diferentes objetos, com os quais temos acesso ao longo de nossa vida.

Vejamos como pode se dar isso!

Segundo o mesmo Enfoque, dentre tantos recursos que nosso cérebro possui há nele uma capacidade ímpar que nos permite assimilar/incorporar elementos do mundo exterior às nossas estruturas de conhecimento, aos nossos esquemas mentais. Trocando em “miúdos”, trata-se do modo que nosso cérebro encontrou para organizar as informações, sejam elas novas ou já existentes.

Para ficar um pouco mais claro pensemos em nós, quando crianças ou, para facilitar a memória, olhemos para aquelas com as quais convivemos…

Quanto mais acesso se tem a diferentes recursos, sejam eles, materiais (livros, jogos etc.) ou culturais, por meio da interação com o mundo que nos cerca, como por viagens, por exemplo, mais aumentará esse número de esquemas.

Infelizmente, neste caso, o contrário também é verdadeiro já que, quanto menos acesso se tem a estes recursos, menos produção de esquemas haverá e, com isso, menos capacidade de se estabelecer conexões, também, se dará.

Isso tudo é para dizer o quanto é importante que desde cedo haja aos pequenos o acesso a diferentes objetos, contextos sociais e, se possível, culturais, por meio de viagens, visitas a museus, etc. já que assim, eles irão criando e aumentando seus recursos internos (esquemas) que os favorecerão no estabelecimento de conexões com outras tantas realidades, ampliando, assim, sua visão de mundo.

Isso é, portanto, investir no desenvolvimento humano!

Quem não lê, não escreve…

Creio que você já deva ter escutado a expressão acima, ou mesmo, algo semelhante não é mesmo? E é, justamente, isso! Compreendo que a leitura é um dos grandes instrumentos que nos proporcionam elementos para a escrita, pois nos amplia a possibilidade de novas conexões nos abrindo, assim, novos horizontes.

Ela nos apresenta novas palavras, expressões, contextos históricos e culturais que, além de aumentar nosso vocabulário, nos oferece novas possibilidades de conexões. Portanto, invista nisso! Ofereça, desde cedo, diversos recursos aos pequenos.

Quanto a nós, mesmo já não sendo mais crianças, jamais nos esqueçamos de que sempre poderemos ampliar nossos conhecimentos, afinal de contas, todo dia é dia de aprender algo novo.

Sendo assim, enquanto não podemos encontrar os amigos, nem tampouco viajar, que tal escolher um bom livro, a fim de favorecer o estabelecimento de novas conexões?

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