Síndrome de Burnout: saiba como identificar e buscar tratamento

A Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é uma realidade cada vez mais frequente no mundo do trabalho. Sendo assim, em janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a incluí-la na lista da 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), como um “fenômeno ocupacional”.

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Você já passou por essa situação ou conhece alguém que esteja sofrendo com essa síndrome?

Neste artigo, você vai encontrar tudo o que precisa saber para identificar, prevenir e tratar esse fenômeno ocupacional, que tem adoecido muita gente. 

Sofrimento mental

O sofrimento mental, que pode ser causado pela ansiedade, estresse e depressão, por exemplo, é tudo aquilo que deixa a pessoa fora de um “funcionamento” normal. Há, portanto, um consenso indicando que a depressão é o excesso de passado, o estresse, excesso de presente e a ansiedade, o excesso de futuro. 

Em outras palavras, esses excessos sobrecarregam a mente e adoecem as pessoas. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostraram que o Brasil ocupa a primeira posição em casos de ansiedade, do mundo. Além disso, ele está em segundo lugar em casos de depressão (perde apenas para os EUA) e estresse (perde para o Japão).

Esgotamento

A Síndrome de Burnout também afeta a mente, causando um esgotamento mental decorrente não somente do excesso de trabalho, mas pelo desequilíbrio entre fatores que aumentam a pressão e os que aliviam a pressão (fatores protetores da mente).

Em 2019, uma pesquisa da International Stress Management Association (Isma-BR), estimou que 32% da população brasileira, economicamente ativa, sofria de sintomas de burnout. Isso deixou o Brasil em segundo lugar no ranking de países com pessoas afetadas pela síndrome.

Definitivamente, a Síndrome de Burnout é assunto sério, só perdendo em gravidade para o Kairoshi, que é a morte súbita por excesso de trabalho. 

Continue a leitura para saber mais sobre a Síndrome de Burnout.

O que é a Síndrome de Burnout

De acordo com a Revista Brasileira de Medicina do Trabalho,  Burnout é uma palavra inglesa utilizada para se referir a algo que deixou de funcionar por exaustão. Tem, como características, o esgotamento emocional, a redução da realização pessoal no trabalho e a despersonalização do profissional. 

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Em outras palavras, a Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico que apresenta um conjunto de sintomas físicos, psíquicos ou emocionais. Nesse sentido, ele é provocado por condições de trabalho desgastantes e que demandam muita competitividade ou responsabilidade. Portanto, está intimamente ligada a  períodos estressantes de trabalho, alta demanda de serviço, poucos colaboradores, pressão de chefe e diretores, excesso de ligações diárias etc.

Dessa forma, trata-se de um fenômeno ocupacional que afeta, principalmente, profissionais que mantêm uma relação direta e constante com outras pessoas, como professores, médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, policiais, bombeiros, etc.

Diagnóstico

A Síndrome de Burnout é confirmada por meio de um diagnóstico clínico, feito em uma consulta com psiquiatra ou psicólogo. Dessa forma, leva-se em consideração o levantamento da história do paciente e a sua relação com o trabalho. 

Além disso, respostas psicométricas a questionário baseado na Escala Likert também ajudam a estabelecer o diagnóstico.

Causas

Existem, portanto, alguns fatores que costumam contribuir para o desenvolvimento da síndrome de Burnout. São eles:

  • Muitas horas extras de trabalho;
  • Pressão excessiva;
  • Metas inatingíveis;
  • Muitos conflitos e competitividade;
  • Ambiente inadequado.

Deve-se considerar, ainda, que o colaborador pode não ser capacitado para tal função ou já estar desempenhando outras atividades, impedindo o cumprimento de demandas solicitadas. Dessa forma, tal situação pode gerar sobrecarga e um sentimento de incapacidade. A pessoa deseja realizar o que lhe é proposto, mas não consegue.

Sintomas

O esgotamento físico e mental acarreta uma série de sintomas, como os que estão listados abaixo. No entanto, não é necessário sentir todos eles para ser diagnosticado. Em outras palavras, os sintomas, muitas vezes, aparecem de forma leve e vão piorando com o passar do tempo. 

Os principais sintomas da Síndrome de Burnout, são:

Psicológicos

  • Ausências no trabalho;
  • Agressividade;
  • Isolamento;
  • Mudanças bruscas de humor;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Lapsos de memória;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Pessimismo;
  • Sentimentos de derrota, fracasso e insegurança;
  • Desânimo e apatia;
  • Baixa autoestima.

Físicos

  • Dor de cabeça
  • Enxaqueca
  • Cansaço
  • Sudorese
  • Palpitação
  • Pressão alta
  • Dores musculares
  • Insônia
  • Crises de asma
  • Distúrbios gastrintestinais 

E se a Síndrome de Burnout não for tratada?

Estudos apontam, no entanto, que é comum as pessoas não procurarem ajuda por não saberem ou não conseguirem identificar os sintomas. Sendo assim, a grande maioria acredita se tratar apenas de um cansaço passageiro.

Entretanto, a Síndrome de Burnout, quando não tratada, pode resultar em graves estados depressivos e episódios de ansiedade. É essencial, portanto, procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.

Níveis do Burnout

No vídeo sobre “O Que é Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento”, aborda-se o fato de que nessa síndrome, o bem-estar e a autoestima da pessoa ficam totalmente vinculados ao sucesso e realização do trabalho. Dessa forma, isso vai se agravando e virando uma compulsão, afetando todas as áreas da vida do trabalhador. No entanto, é um processo, que vai acontecendo aos poucos, piorando gradativamente. Sendo assim, para melhor entendimento, a Síndrome de Burnout foi dividida em níveis:

1º O trabalho passa a ser prioridade na vida da pessoa

2º Começa a haver descaso com as necessidades pessoais (comer, dormir, sair com amigos)

3º Aversão a conflitos no trabalho, início de sintomas físicos

4º Reinterpretação dos valores pessoais e isolamento

5º Negação dos problemas, cinismo, aversão a contatos sociais

6º Recolhimento e aversão a reuniões

7º Despersonalização, confusão mental, esquecimento

8º Tristeza profunda, acha que tudo vai dar errado, que vai ser demitida

9º Colapso físico e mental, não consegue fazer mais nada

10º Esgotamento absurdo, necessidade de internação hospitalar 

Prevenção e tratamento da Síndrome de Burnout

A síndrome é um fenômeno grave, mas, é possível tanto preveni-la quanto tratá-la.

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É muito importante, então, que a pessoa observe bem como a sua vida profissional está impactando a sua saúde. Por exemplo: você já reparou como o seu corpo reage quando você chega e sai do seu local de trabalho? Ou, em caso de home office, como se sente ao iniciar e terminar o seu trabalho? Outro ponto a observar é se há desânimo e falta de concentração na hora de cumprir as tarefas, pois são indícios de que algo não vai bem.

Prevenção

  • Definindo pequenos objetivos na vida profissional e pessoal;
  • Participando de atividades de lazer com amigos e familiares.
  • Fazendo atividades fora da rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema.
  • Evitando o contato com pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros.
  • Conversando com alguém de confiança sobre o que se está sentindo.
  • Fazendo atividades físicas regulares. 
  • Evitando o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, pois só vai piorar a confusão mental.
  • Descansando adequadamente, com boa noite de sono.

Tratamento

Cada pessoa é única e tem as suas particularidades, por isso, não há um tratamento único e nem um período definido. Mas, de modo geral, o esgotamento mental é tratado com:

  • Psicoterapia
  • Medicação
  • Atividade física
  • Meditação
  • Momentos de lazer e descanso

E, por último, o tratamento para problemas relacionados a transtornos mentais é oferecido de forma integral e gratuita por meio SUS. Dessa forma, se você sente que algo não vai bem neste aspecto, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS), para ter seu caso avaliado e encaminhado aos centros especializados.

Conclusão

Vimos, neste artigo, que a Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, sempre relacionada ao trabalho de um indivíduo, mas que afeta outras áreas de sua vida.

No entanto, se você já teve o diagnóstico dessa síndrome ou percebe sinais de que pode estar sofrendo de esgotamento mental, não se desespere! Encare, assim, como um aviso de que você está se desviando da “rota” e que é uma oportunidade para atualizar sua identidade. Pergunte-se a si mesmo: “Eu estou mesmo onde preciso estar?”.

Por fim, é importante deixar claro que o Burnout não atinge somente quem está insatisfeito com o trabalho. Uma pessoa que ama o que faz também pode desenvolver essa síndrome, caso esteja em condições que a tornem propícia.

Portanto, esteja atento à sua realidade e não hesite em buscar ajuda, caso necessite.

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Sobre Karine Iria

Mestra e Doutora em Economia Doméstica

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