Temperamento Sanguíneo – o apóstolo Pedro!

O temperamento sanguíneo, bem como os outros temperamentos, é inato ao ser humano. Embora possamos apresentar características que dizem respeito a todos os temperamentos, tem sempre um que se destaca no modo como encaramos a realidade ou reagimos diante dos acontecimentos da vida.

Temperamento Sanguíneo

E por falar em destaque, neste artigo daremos ênfase ao temperamento sanguíneo. O apóstolo Pedro, com seu jeito de ser, tem muito a nos ensinar.

Para isso, vamos unir temperamento com espiritualidade. Deixar de lado a síndrome de Gabriela (“eu nasci assim, eu cresci, vou ser sempre assim“) e entender que é possível ser o que Deus quer, com o temperamento que temos. A santidade é para todos.

Quer ver só? Então continue essa leitura!

O temperamento sanguíneo

O temperamento sanguíneo tem o ar como elemento representativo. Portanto, o sanguíneo traz consigo a necessidade de expandir-se, de se relacionar com outras pessoas, de falar e expor seus sentimentos.

Além disso, o sanguíneo utiliza todos os seus sentidos para se relacionar com o mundo. Seu paladar, olfato, tato e visão estão direcionados e preparados para explorar, sentir e se beneficiar com os prazeres da vida.

De julgamento fácil e por assimilar rapidamente as coisas, acha que já sabe de tudo com apenas um pouco de estudo e, por isso, tem dificuldade para se aprofundar. Precisa se esforçar bastante para ir além das aparências e desbravar os mares mais profundos do conhecimento. 

Tende à impulsividade. Apesar de ter sensibilidade à flor da pele, suas impressões são passageiras. Dificilmente guarda rancor. 

Uma pessoa que tem o temperamento sanguíneo, quer fazer tudo ao mesmo tempo. Tem dificuldade para se concentrar.

Ao mesmo tempo, ele é leal, amigo, companheiro e faz de tudo para agradar o outro. 

O sanguíneo é chamado a seguir Jesus e a ser como Ele. É chamado a deixar tudo pelo Bem maior. A não buscar seus próprios interesses.

No entanto, pode um sanguíneo deixar de buscar prazer em tudo e se colocar a serviço do Mestre?

É possível ser constante na obediência, quando a instabilidade e a impulsividade são marcantes?

Sim, pode! Sim, é possível! E temos um belo exemplo a seguir: O apóstolo Pedro.

Pedro – o sanguíneo

Pedro foi escolhido por Jesus. Ele era um pescador e foi chamado para largar as redes e segui-lo. A partir desse momento, se tornou pescador de homens.

Apóstolo Pedro

Mas quem era Pedro? E porque Jesus o escolheu?

Vamos conhecer Pedro, à luz dos temperamentos, e descobrir, então, quem foi o apóstolo que recebeu as chaves da Igreja de Cristo.

Pedro (que se chamava Simão, antes de conhecer Jesus), morava numa pequena cidade, chamada Betsaida. Era casado e tinha um irmão que também foi escolhido por Jesus: André.

No que diz respeito ao seu temperamento, várias características o apontam como sanguíneo. Veremos o motivo agora.

Sobre as águas

Em certa ocasião, Jesus andou sobre as águas. Estavam todos assustados, mas Pedro, com seu temperamento sanguíneo, sem pensar duas vezes, pediu que Jesus o chamasse então para ir até ele caminhando sobre as águas também. 

Andando sobre as águas

Assim Jesus fez e ele foi! No meio do caminho sentiu medo e começou a afundar. Não hesitou em clamor por socorro e Jesus lhe estendeu a mão.

Notaram a impulsividade de Pedro? Não pensou duas vezes! Bem sanguíneo isso: fala primeiro, pensa depois.

Anúncio da morte e ressurreição

Em outro momento, Jesus contava que iria sofrer muito, ser morto e ressuscitar no terceiro dia. E o que fez nosso personagem? Chamou a atenção de Jesus! Isso mesmo! Pediu que Deus não permitisse tal coisa. Provavelmente, por achar que já tinha entendido tudo ou por insensatez, típico do temperamento sanguíneo, não poderia deixar que isso acontecesse com o seu amigo.

Mas, ele não tinha entendido tudo ainda, apenas superficialmente. Por isso achou que Jesus não estava certo ao dizer aquelas palavras.

Transfiguração

Nesse sentido, achando que já tinha entendido tudo, na ocasião da transfiguração de Jesus, ele já queria ajeitar as coisas para ficar por ali, curtindo o momento. Está certo que foi um momento de êxtase mesmo. Imagina só, ver Jesus, Moisés e Elias juntos. Ele ficou maravilhado! 

Transfiguração
Foto Pixabay

Nesta cena, salta aos olhos o temperamento sanguíneo de Pedro. Não somente na impulsividade, mas também na vontade de aproveitar a vida e curtir o momento. Mas ele também se assustou e teve medo. Emoções à flor da pele.

Próprios interesses

Além disso, Pedro também se mostrou interesseiro quando perguntou para Jesus o que iria receber em troca por ter deixado tudo para segui-lo. Ao colocar seus próprios interesses em primeiro lugar, deixou transparecer seu egoísmo. No fundo se trata de buscar satisfação nas coisas, bem característico de um temperamento sanguíneo.

Exagero

Outra característica do temperamento sanguíneo é o exagero. E Pedro exagerava às vezes! Quando Jesus se dispôs a lavar os seus pés, ele disse que nunca deixaria que isso acontecesse. Nunca!

Mas aí Jesus insistiu e ele então já passou para outro extremo: que era para lavar não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça!

Pensando aqui, cortar a orelha de um guarda também foi exagero, não é mesmo? Sim, ele fez isso!

Expansividade 

Outra coisa que é possível perceber em relação a Pedro e que comprova o seu temperamento sanguíneo, é que ele gosta de se envolver nos assuntos, expor o que sente e mostrar sua amizade. 

Foi assim quando afirmou que jamais abandonaria Jesus, mas o negou pouco depois. 

Em outras palavras, Pedro tinha medo e coragem, era egoísta mas também queria o bem do seu amigo. Negou Jesus e ofereceu amor incondicional a Ele. Era um homem de contrastes.

Temperamento sanguíneo transformado pelo Espírito

Foi Pedro quem, após o derramamento do Espírito Santo, fez um belo discurso que arrebanhou cerca de três mil pessoas de uma só vez! E então, onde estava aquele homem medroso, que havia negado o seu Senhor? Esse homem de temperamento sanguíneo, foi transformado.

Enfim, Pedro se deixou transformar pelo Espírito. Já não queria mais ficar na superficialidade ou mesmo se deixar levar pelas suas emoções. Pedro assumiu a sua missão e sofreu por causa disso. Sofreu por amor. Pedro realizou curas em nome de Jesus e também foi preso e morto por Ele.

Porém, Pedro não deixou de ter o temperamento sanguíneo. Mas ele se permitiu lapidar, ser trabalhado por Deus, realçando suas qualidades. Ele era comunicativo, entusiasta, afável, simpático, bom companheiro, compreensível…

O que podemos aprender com Pedro

Podemos aprender com Pedro a amar exageradamente, sem medidas. A sermos fiéis ao nosso propósito e a não ter medo de anunciar a Verdade e a Vida. Seja com nossas palavras, seja com nossas ações.

E mais: Pedro nos ensinou que não há nada em nós que Deus não possa transformar ou utilizar para que a sua vontade se cumpra. Não há vontade fraca, impulsividade ou mesmo egoísmo que prevaleça diante da graça de Deus, se deixarmos que ela nos alcance.

Conclusão

Nosso temperamento influencia nossas decisões e, quando o conhecemos, podemos realçar melhor nossas qualidades e trabalhar nossos defeitos.

Assim, cada pedacinho de um sanguíneo foi pensado e abençoado por Deus. Suas qualidades e seus defeitos formam um todo que mostra a sua humanidade. O que tem de mais belo e o que tem de mais feio, remete à necessidade de se entregar Àquele que o criou e de ser aquilo que Deus quer. 

Isso porque um sanguíneo (e também um melancólico, um colérico e um fleumático) não deve ser conduzido por um suposto autoconhecimento que limita sua ação, se baseando em qualidades e defeitos. Eles existem, claro! E vimos isso na descrição do temperamento. No entanto, essas mesmas qualidades e esses mesmos defeitos não são absolutos e não reinam para sempre! São dinâmicos, mudam e podem se acentuar, ou não, conforme as circunstâncias da vida! 

Somos chamados à transformação e renovação! Pense nisso! 

Sobre Karine Iria

Mestra e Doutora em Economia Doméstica

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