Tempo, tempo, tempo…

Como é desafiador acolher o tempo, como amigo, quando o que está em questão é o sofrimento por uma perda ou a ansiedade, frente à espera de algo, não é verdade? Assim, talvez nos questionemos: Será que o tempo me ajuda? Se sim, em que e de que forma?

Embora seja uma experiência desafiadora, acredito que muitos podem ser os ensinamentos trazidos pelo tempo, porém para apreendê-los será preciso alguns passos importantes. E serão sobre esses, possíveis, aprendizados e passos que pretendemos tratar aqui. Sendo assim, que tal nos acompanhar por um tempo nesta leitura?

O tempo e suas expressões

Ao se buscar uma definição para a palavra tempo, verifica-se que seus significados podem ser diversos, a depender do contexto em que se fala. Por exemplo, se tratamos do tempo, como um fator meteorológico, ou como a duração cronometrada de uma atividade ou, ainda, um período de momentos, horas, dias, semanas etc., em que eventos acontecem e que nos dão a noção de presente, passado, futuro, assim como tantos outros significados.

Apesar desses inúmeros sentidos e significados que poderíamos atribuir à palavra tempo, em nosso texto, de hoje, vamos compreendê-lo mais próximo à última definição, ou seja, como períodos, diante dos quais eventos nos acontecem.

Uma vida e várias experiências

Pensando, então, no tempo relativo aos períodos de nossa vida recordemos, inicialmente, as diversas experiências pelas quais já passamos. Podemos dizer que algumas delas foram positivas, desde o início, já outras, precisaram de tempo, até que produzissem bons frutos.

E é, justamente, aí que o desafio está! Neste espaço, digamos assim, nublado, em que aguardamos que, novamente, o sol volte a brilhar! Esse tempo é importante? O que fazer nele e com ele? Como vivenciá-lo, de modo a nos tornar amigos?

Vivenciando o tempo das perdas

Trazendo de volta o exemplo da perda de um ente querido, aqui, o tempo será necessário, dentre outros motivos, para nos ajudar a recomeçar, já que durante certo período, seja ele curto ou longo, houve alguém que caminhou conosco e com quem dividimos a vida.

Porém, seja pela morte ou algum outro motivo, agora, somos desafiados a retomar o caminho, sem termos ao lado aquela pessoa querida. Isso pode ser difícil, principalmente, no início! Afinal de contas, recomeçar parece nos pedir sempre um esforço extra!

Nessa hora, penso ser importante, primeiramente, viver o momento da falta, não fazer de conta que nada aconteceu, mas reconhecer a dor que aquela ausência traz. Essa é a dor real de um ser humano que se arriscou a amar!

Acolher esse tempo é fundamental para se reconhecer a falta, o que pode ajudar na tomada de consciência de que uma parte, significativa, de nossa vida já não está mais ali; que isso é real!

Neste sentido, o tempo se dividirá em dias, semanas, meses… Enfim, será o período necessário para que a ausência e a dor se transformem em boas lembranças e cedam espaço para a saudade e a reconstrução! Porém, não haverá uma data marcada na agenda, como dito, será o tempo necessário!

Enquanto o sol não brilha, o que mais posso fazer?

Talvez você esteja aí se perguntar! Aí é hora de, com calma, respirar fundo, quantas vezes forem necessárias, pois, assim como não há uma data preestabelecida, não haverá uma fórmula mágica que faça com que, instantaneamente, deixemos de sentir a falta.

Enquanto a dor não cessa podemos respeitá-la, quando ela nos pedir que fiquemos sós, todavia, sem nos demorarmos muito aí, para que não nos acostumemos nesse espaço. Importa lembrar que somos seres relacionais, portanto, precisamos de pessoas ao nosso lado, sobretudo, daquelas que nos acrescentam. Nessa hora, bons amigos e profissionais competentes serão fundamentais!

À medida que se vive um dia após o outro, talvez percebamos que, também, pode ser positivo fazer algumas mudanças na rotina diária. Assim, vamos deixando que novas práticas se apresentem e, com isso, uma nova dinâmica surgirá, uma que não inclua aquele (a) que partiu, mas que nos ajudará a recomeçar.

Marcas ao longo da vida

Em meio a tudo isso, vamos aprendendo que em todas as nossas relações deixamos e trazemos marcas, ora, imediatamente positivas, ora nem tanto. Seja como for, em todas elas, o tempo aí está a nos estender a mão, nos oferecendo a possibilidade de amadurecer, enquanto seres humanos. Ele pode ser, então, um bom amigo!

Por fim, se soubermos prestar atenção e acolher o tempo, certamente, colheremos bons frutos. Mesmo que seja um momento de dor, ele pode nos ajudar em nosso processo de amadurecimento e nos fortalecer. Sem pressa, é possível aprender que o recomeço sempre é possível e que na vida importa amar, respirar, descansar, deixar ir…

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