Um olhar sobre a mudança… Ela te assusta?

Você já se perguntou isso? Já parou para pensar no motivo pelo qual a mudança assusta tanto, às vezes? Talvez não seja esse o seu caso, já que, para algumas pessoas, além de ser algo fácil de lidar, mudar ou vivenciar novos desafios pode ser, ainda, muito agradável e almejado.

Podemos pensar em uma mudança, aparentemente, simples como um corte de cabelo, uma troca de móveis de lugar, um caminho diferente para casa, ou ainda, mais complexa, como a troca de emprego, a mudança de cidade ou, mesmo, de país etc. Fato é que, sejam elas simples ou complexas, há pessoas que vivem em busca delas, enquanto outras, com elas não se dão bem.

Refletir sobre a mudança e o modo como lidamos com ela é, sumamente, importante, uma vez que isso nos auxilia em nosso processo de desenvolvimento. Sócrates já dizia: “Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida” e como, aqui, o convite é sempre avançar, pensar nossas ações importa e muito!

Um Toque de Ciência

Embora reconheça que poderíamos abordar este tema considerando diferentes perspectivas, hoje, gostaria de olhar nossas ações, frente à possibilidade da mudança, a partir de uma visão Comportamentalista (SKINNER, 1904-1990). Nessa perspectiva o foco é o estudo do comportamento, com base no ambiente, ou seja, no contexto em que o sujeito está inserido.

Buscando estabelecer uma relação com o nosso tema, vemos que segundo a referida abordagem nossa resposta (modo de agir), favorável ou desfavorável, frente à mudança estaria associada ao contexto, ou seja, ao ambiente em que fomos criados (família, escola…) e, também, aos estímulos que, nele, recebemos.

Tomemos como exemplo, uma criança que cresce em uma família (contexto) em que é sempre incentivada a enfrentar desafios e ao superá-los é recompensada. Uma das lições que ela pode aprender com essas experiências é que o enfrentamento de desafios é um bom caminho, afinal de contas, após vencer aqueles estímulos (desafios) ela era recompensada.

Destaco que, em princípio, essa recompensa poderia se dar na forma de um brinquedo novo, um elogio, um afago, mas com o passar do tempo ela pode passar a ser interna, como, por exemplo, o simples prazer da vitória.

Voltemos ao nosso exemplo, porém vivenciado em um ambiente contrário, em que já não há incentivos, nem tampouco, recompensas. Ou então, a criança cresce, também, em um ambiente desfavorável ao enfrentamento de desafios, já que, agora, recebe tudo sem, o mínimo, esforço. Acredito que não seja difícil compreender o motivo de esta criança crescer julgando que os desafios não sejam um bom acontecimento, não é verdade?

Eu, Você e as Mudanças…

Após estas considerações, olhemos um pouquinho para nós. Como lidamos com as mudanças que, cotidianamente, nos são apresentadas? Elas nos assustam? Todavia, ao olharmos para nosso modo de vivenciá-las, lembremo-nos de considerar nosso contexto de vida como ponto de partida. Que ele nos seja um referencial, como se nos dissesse: Considere-me, acolha-me, porém avance!

Neste ponto, te sugiro um pequeno exercício: Abra seu baú de memórias e busque por lembranças de estímulos positivos que, por sua vez, poderiam favorecer seu olhar frente ao enfrentamento de desafios e, consequente, afeto por mudanças.

Tendo feito esse exercício se, pouco, ou quase nada encontrou, não se entristeça! Isso apenas aponta para a necessidade de se construir novas memórias, agora em um novo contexto. Fácil? Talvez não, porém imprescindível! Por isso, coragem!

Últimas Considerações

Após nossas reflexões compreendemos, então, que nosso comportamento é influenciado pelo ambiente em que vivemos, assim como, pelos estímulos que nele recebemos ou deixamos de receber.

Assim sendo, não nos esqueçamos de que ao olharmos para nossa maneira de acolhermos ou não o “novo”, as mudanças que nos são apresentadas importa olhar, igualmente, para todo um conjunto de fatores. Isso significa não julgar um determinado fenômeno, ou, a nós mesmos de maneira isolada, mas considerá-los sempre dentro de um contexto.

Referência:

MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2019. 306p.

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